quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Elementos de Semiótica Aplicados ao Design.



Lucy Niemeyer, designer gráfica, e Doutora em Comunicação e Semiótica, além de professora da PUC - Rio e autora de vários artigos publicados no Brasil e no exterior, afirma logo nas primeiras páginas de seu livro intitulado: “Elementos de Semiótica aplicados ao Design” que a semiótica utilizada como referencial teórica serve tanto para análise da produção de design quanto para o desenvolvimento dos projetos de design e pesquisas.

Pois os produtos do design são cheios de significados, em que tudo que existe no resultado de um projeto de design tem um motivo e conseqüentemente um significado, ou seja, ele é um portador de representações, afinal, basta olhar para um produto e é possível dizer para que tipo de público, faixa etária, sexo e muitas outras informações apenas com um rápido golpe de vista, em outras palavras o produto de design se torna um participante de um processo de comunicação.


Segundo Lucy a semiótica quando aplicada aos projetos ela serve de base para um melhor desenvolvimento e geração de sentido dos produtos, pois ajuda a resolver eventuais problemas que possam surgir com relação à comunicação e significação do produto.


Após essa breve introdução ela aborda as origens da palavra semiótica, que é a teoria geral dos signos, tendo este o papel de mediador, entre algo que não está no local e seu intérprete. E a partir daí, explica que como os signos se organizam em códigos, constituindo sistemas de linguagem, eles formam a base de toda e qualquer forma de comunicação. Posto que a principal utilidade da semiótica seja realizar a descrição e análise da estruturação sígnica de objetos, processos ou fenômenos em várias áreas do conhecimento humano. Considerando que a linguagem é a base de toda e qualquer forma de comunicação, a linguagem pode ser dividida segundo a natureza de seus códigos, sendo estes a: Linguagem Verbal, que seria a linguagem formada por palavras orais ou escrita; Linguagem Não verbal, formada por elementos imaginéticos, gestos, sons, etc. e a Linguagem Sincrética formada por códigos de naturezas distintas, na qual se enquadra a maioria das produções de design. Mas não é por ai que a semiótica para, já que o produto está sujeito a diversas interferências, determinado não só pelo repertório mental de seus Interpretadores, como também por seus vários filtros que atuam nesse processo de decodificação da mensagem, começando pelos filtros fisiológicos (acuidade de percepção), filtros culturais (ambiente, experiência individual) e emocionais (atenção, motivação, etc.). E par que seja produzida a mensagem com um mínimo de ruído, entre o Gerador (União do empresário com o designer) e o Interpretador. Considerando que não existe comunicação inocente, sem nenhuma segunda intenção, existem dois tipos de processo na comunicação, o de persuasão e o de manipulação. O primeiro é utilizado pelo Gerador para que o interpretador creia em algo, já em um segundo momento se o destinatário da mensagem tiver sido persuadido o Gerador se utiliza da estratégia da manipulação, para que o Interpretador assuma atitudes conforme a mensagem especifique.


E é nesse sentido que a semiótica ajuda em um projeto de design, analisando por quais caminhos são os mais efetivos na interação entre o Interpretador e o produto, signos utilizados e até mesmo os materiais, dimensões, proporção, partes que o compõem, organização dessas partes, cores utilizadas, acabamento, etc. Evitando assim toda e qualquer forma de interferência que possa prejudicar a recepção de uma mensagem.

O signo, parte importante da comunicação e foco do estudo da semiótica, em sua vasta gama de definições signo seria algo que represente alguma coisa para alguém em determinada circunstância, de acordo com o repertório daquele que está interpretando. Ou seja ele só irá funcionar como signo se ele possuir o poder de representar algo, pois ele não é o algo representado, ele só assume o lugar na ausência do que ele representa. Logo ele só poderá representar algo até certo ponto, variando é claro com a natureza do próprio signo.

Nas relações sígnicas, existe o que Pierce chamou de tricotomia, a primeiridade ocorrendo no nível no Representâmen, em que predomina o caráter qualitativo, sensível, e que o interpretante é o mais variado, impreciso amplo possível. A secundidade, no Objeto que vem a se completar com a experiência da primeiridade construindo um reconhecimento, e a terceiridade, no Interpretante que é onde se estabelece a convenção, já existe uma previsão, baseada na experiência anterior e passa a existir uma precisão, pois ele fica coberto de certezas e garantias, é o argumento.


O produto de design ainda pode ser dividido em quatro dimensões semióticas, seriam elas as dimensões sintáticas que abrangem toda a estrutura do produto e o seu funcionamento técnico, a dimensão pragmática analisa todo o ciclo de vida, desde sua fase de projeto na sala do designer à lixeira, incluindo o os seus usos, desde ergonômicos aos sociais. As dimensões semânticas do produto se referem aos aspectos de referência tanto a dimensão sintática como a dimensão material do produto, se preocupa sobre o que o produto representa como o objetivo do produto foi expresso ou está sendo representado e a qual ambiente o produto pode pertencer. Lembrando que a semântica do produto pode mudar se o material dele mudar. A função prática pode permanecer a mesma, mas a sua qualidade pode mudar.


Por fim, ao se fazer uma abordagem com fundamentação semiótica devemos sempre levar em conta fatores citados anteriormente, ou seja, as questões sígnicas do produto devem ser consideradas, pois a depender da cultura, um signo ou articulação do mesmo pode ser interpretado de modo próprio, portanto é imprescindível que o design que esteja desenvolvendo o projeto tenha familiaridade, compreensão e domínio do grupo cultural em que o produto irá circular. Assim sendo, o ideal é sempre fazer um mapeamento de todos os aspectos da região, como tradições, costumes, valores, religiões e até mesmo características políticas e econômicas, evitando perda de tempo realizando ajustes ou o pior, que seria o fracasso da “solução” desenvolvida.


Análise do livro Elementos de Semiótica aplicados ao design, de Lucy Niemeyer.

Encontre em: Editora 2AB

Mr Iu.

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